A Pergunta

Voltar para onde você é de conta como pertencer ali, ou apenas como prova de que você não conseguiu fazer isso em nenhum outro lugar?

Quinze tradições pesam se retornar para casa é graça, rendição, ou a única escolha honesta que resta.

Pergunte ao Oráculo Você Mesmo

Há uma vergonha específica no U-Haul indo na direção errada — de volta na rodovia que você uma vez saiu com as janelas abertas e algo a provar. A cidade não funcionou, ou a cidade funcionou muito bem e você ainda se sentia como um turista em sua própria vida, e agora você está entrando em uma garagem que conhece seu carro pelo som. Alguém dentro já tem café pronto.

As tradições divergem aqui porque não conseguem concordar sobre o que é o eu, o que é o lugar, ou se o fracasso é uma categoria que se aplica à geografia. Alguns dizem que o retorno é uma forma de se voltar para Deus. Outros dizem que aquele que retornou não é aquele que partiu, então a pergunta não tem sujeito. Ainda outros dizem que a pergunta é a armadilha, e você deveria colocá-la para baixo antes que ela o esvazie.

O que está em jogo não é imóvel. É se o veredicto sobre uma vida pode ser emitido por um código postal — e quem, se alguém, segura o martelo.

Cinco Perspectivas

As tradições respondem.

CRI

Cristianismo

O Pai Já Estava Correndo em Sua Direção

O filho tinha um discurso preparado. Ele tinha ensaiado a parte sobre indignidade, calibrado a quantidade certa de contrição pela distância que havia viajado da mesa da família. Nada disso era necessário. O pai estava correndo antes que o pedido de desculpas pudesse chegar — túnica levantada, sandálias na brita, indigno da melhor forma possível — e o anel foi colocado em uma mão que ainda cheirava a esterco de porco. Esta é a resposta da tradição para sua pergunta: pertencer não é um prêmio concedido por partida bem-sucedida e retorno. É a condição que o país distante não conseguiu apagar e que o fracasso não conseguiu confirmar. Você não se trabalhou para voltar. Você sempre foi recebível.

Enquanto ele estava ainda longe, seu pai o viu e teve compaixão, e correu.

Lucas 15:20, ARA
EXI

Existencialismo

Você Escolheu Novamente. Assuma Isso.

A estrada de volta tem uma loja de conveniência com um letreiro piscante. Você conhece o letreiro. Algo em seu peito se afrouxou quando o viu, e você é tentado a chamar esse afrouxamento de pertencer — deixar a cidade receber crédito pelo alívio, dizer que o lugar o recebeu. Não recebeu. Você escolheu, novamente, com pleno conhecimento do custo, com o livro de contas aberto na sua frente. Essa escolha — não a brita, não o cheiro familiar do quintal, não o acidente de seu nascimento ali — é o único pertencer que já existiu. A cidade é indiferente. O escolhedor é você. Pare de terceirizar a autoria para uma geografia que nunca estava lendo seu dossiê.

O homem está condenado à liberdade; porque uma vez lançado no mundo, ele é responsável por tudo o que faz.

Jean-Paul Sartre, O Existencialismo é um Humanismo
BUD

Budismo

Aquele Que Partiu Não é Aquele Que Retornou

O rio não retorna à montanha — ele chega a um lugar onde a montanha não está mais. Você partiu, e a partida mudou o lugar, porque um lugar é parcialmente tecido pela sua presença nele, e sua presença agora carrega um peso diferente, lança uma sombra diferente no chão da cozinha. Aquele que caminhou de volta por aquela porta não é aquele que uma vez a fechou do outro lado. O que significa que a pergunta — eu consegui, falhei — não tem um sujeito estável para se apegar. Tanto o retorno quanto o fracasso exigem um eu fixo cujo registro estamos revendo. Sente-se com a impermanência tempo suficiente e a pergunta não é respondida. Ela é superada.

No visto, há apenas o visto. No ouvido, apenas o ouvido.

Udana 1.10, Cânone Pali
EST

Estoicismo

O Veredicto de Outras Pessoas Não Tem Jurisdição Aqui

A pergunta que você está realmente fazendo é se a multidão — o velho amigo que ficou, o primo que o viu partir, o vizinho fazendo a conta com seu carro e seu cronograma — consegue governar o que seu retorno significa. Não conseguem. Nem uma polegada de seu caráter cai sob sua jurisdição. Se você voltou porque falhou ou porque escolheu é um fato que apenas você possui, e mesmo que o fracasso seja parte disso, o fracasso não é a medida. A medida é o que seu julgamento faz a seguir. Toda vez que você entrega o martelo para alguém que não estava na sala quando você tomou a decisão, você está fazendo voluntariamente o que nenhuma força externa poderia forçar. Pare.

Você tem poder sobre sua mente, não sobre os eventos externos. Perceba isso, e você encontrará força.

Marco Aurélio, Meditações
ABS

Absurdismo

A Cidade o Recebeu Sem Cerimônia ou Veredicto

Você voltou em uma terça-feira, provavelmente, com o carro meio cheio e uma razão que soava prática quando você a ensaiava. A cidade o recebeu do jeito que as cidades fazem — sem cerimônia, sem o gesto confirmador que você estava meio esperando, apenas o mesmo posto de gasolina no mesmo canto, indiferente como a geologia. Aqui está o que ninguém diz em voz alta: o universo não ratificará seu pertencer em nenhum lugar. Ele também não ratificou sua partida. O retorno não é prova de derrota nem prova de sabedoria — é o próximo ato de uma vida que exige que você continue escolhendo significar algo, com pleno conhecimento de que o significado não está esperando no solo para ser descoberto. Você voltou em uma terça-feira, provavelmente, com o carro meio cheio. Comece daí.

Deve-se imaginar Sísifo feliz.

Albert Camus, O Mito de Sísifo

Num Relance

As respostas curtas, lado a lado.

TradiçãoSua Resposta
CristianismoO Pai Já Estava Correndo em Sua Direção
ExistencialismoVocê Escolheu Novamente. Assuma Isso.
BudismoAquele Que Partiu Não é Aquele Que Retornou
EstoicismoO Veredicto de Outras Pessoas Não Tem Jurisdição Aqui
AbsurdismoA Cidade o Recebeu Sem Cerimônia ou Veredicto

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Quinze tradições. Uma pergunta. Sua pergunta. Veja qual ressoa.

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Now PlayingOh Death
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Artist: d_york