EXI
Existencialismo
Não Há Self Enterrado, Apenas Escolhas
O desejo não saiu — você o enterrou sob o olhar de alguém, o que não é a mesma coisa que perdê-lo. Mas aqui está a borda mais afiada: não há nenhum self original agachado por baixo, esperando ser escavado. Há apenas o que você escolheu, repetidamente, às 2 da manhã quando ninguém estava olhando. A plateia nunca foi externa; você a instalou, assento por assento, até que o teatro parecesse a própria consciência. A questão não é se você lembra como querer sem testemunhas. É se você consegue sobreviver à vertigem disso — porque querer sem testemunha significa que o desejo é finalmente seu, o que significa que o fracasso também é. Nada o impede exceto a liberdade de parar. Essa liberdade é a única coisa que sempre impediu alguém.
“A existência precede a essência — você não é nada além do que você faz de si mesmo.”
— Jean-Paul Sartre, Existencialismo é um Humanismo
ISL
Islã
A Fitra Não Esquece — Você Esquece
Antes da primeira aprovação que você buscava, antes da primeira plateia pela qual você se apresentava, Allah selou algo na alma humana — a fitra, a disposição original, a configuração de fábrica do self. Não degrada. Não desaparece no ruído da performance e reconhecimento. Espera, silenciosa como um poço sob o deserto, não vazia mas coberta, esperando por aquele que parará e cavará. A questão não é se você pode querer puramente novamente. A questão é se você fará a única pequena coisa que torna isso possível: sentar, nem que seja uma vez, no silêncio particular antes do fajr, a hora escura antes do mundo ter uma opinião sobre você, e fazer algo que ninguém jamais verá. A pureza de intenção — niyyah — está sempre disponível. Você apenas esqueceu de consultá-la.
“As ações são julgadas pelas intenções, e cada pessoa terá o que pretendia.”
— Sahih al-Bukhari, 1:1
CIN
Cinismo
Você Tem Cobrado Entrada para o Desejo
Quem te ensinou a desconfiar de um desejo no momento em que ninguém mais pudesse confirmá-lo? Você construiu um teatro dentro do seu peito — assentos, iluminação, todo o aparato — e chamou a construção de fazer. Diógenes comia na ágora não para representar comer mas porque tinha fome, e o desgosto da multidão era problema dela inteiramente, não seu currículo. Ele dormia em um jarro não porque privação fosse nobre mas porque o jarro era suficiente, e a suficiência era a única coisa que a multidão nunca poderia vender de volta a si mesmo. Você já sabe o que quer. O desejo não é sofisticado, não é impressionante, não é algo que você pudesse apresentar. Isso é precisamente o que o torna real. Você tem cobrado entrada para o próprio desejo, e chamado as receitas do portão de sua vida criativa.
“Estou procurando por um ser humano.”
— Diógenes de Sinope, conforme registrado em Diógenes Laércio, Vidas dos Filósofos Eminentes
TAO
Taoísmo
O Bloco Não Esculpido Não Deve Forma Alguma
Havia um carpinteiro — ou assim a história meio lembra — que esqueceu como cortar mal uma vez que aprendeu a cortar bem, e passou seus últimos anos certo de que havia perdido algo verdadeiro, quando na verdade apenas perdeu sua memória da farpa. O bloco não esculpido não pratica ser não esculpido. Simplesmente ainda não foi dito que forma ele deve ao mundo. O Tao que pode ser representado para uma plateia não é o Tao eterno — e o desejo que precisa de uma testemunha para se sentir real já se tornou algo diferente de desejo. O artesão no texto de Zhuangzi não persegue o boi; ele segue a veia do que já está lá. Você não está recuperando um self. Você está parando a atividade que o obscurece. O não-fazer é em si o fazer. Isso pode ser inútil. Também é verdade.
“O Tao que pode ser dito não é o Tao eterno.”
— Laozi, Tao Te Ching, Capítulo 1
ABS
Absurdismo
Pegue; a Tarde É Específica
Você já conhece a resposta — é por isso que a questão custa algo para ser perguntada. O desejo não saiu; você o enterrou sob o longo hábito de observar os rostos de outras pessoas em busca de permissão, e depois confundiu sua aprovação com o próprio desejo. Aqui está o que o universo não fornecerá: uma certificação de que sua fome privada é real, uma assinatura cósmica confirmando que seu fazer importa, uma garantia de que a vertigem se resolve. Nada disso está chegando. Camus observou Sísifo empurrando a pedra e disse: imagine-o feliz — não porque a pedra vai a algum lugar mas porque o empurrar é dele, a colina é sua, a tarde é específica e pertence a ele. Ninguém vem certificar seu fazer privado. Esse silêncio é toda a situação. Pegue a coisa mesmo assim. Suas mãos estão bem aí.
“É preciso imaginar Sísifo feliz.”
— Albert Camus, O Mito de Sísifo