FIL
Filosofia Vedanta
Ninguém Dirigiu. Nada Foi Desperdiçado.
O Mandukya Upanishad descreve uma testemunha anterior ao pensamento, anterior ao corpo, anterior ao táxi-medidor dos seus trinta e poucos anos marcando. Sua amiga acredita que escolheu a jornada, calculou o custo, ficou diante da tela e recebeu algo. Mas olhe com atenção: quem recebeu? A onda pergunta se está se gastando corretamente; o oceano não se gasta. O que aconteceu naquela galeria não foi sua mente aprovando o quadro ou o quadro recompensando sua jornada — foi ver, súbito e inteiro, anterior a qualquer eu que pudesse desperdiçar ou não desperdiçar. Aquele que está julgando em casa, aquele que está compondo esta mesma pergunta — ambos são a mesma onda, brevemente convencida de sua separação da água.
“O Eu não nasce; nem morre em tempo algum.”
— Bhagavad Gita 2.20
ABS
Absurdismo
O Universo Não Oferece Recibo. Ela Foi Mesmo Assim.
Camus viu Sísifo empurrar a pedra e se recusou a chamá-lo de tragédia, porque a tragédia teria sido precisar dos deuses para confirmar que a pedra importava. Sua amiga ficou diante de um quadro em uma sala com iluminação ruim enquanto o universo mantinha seu silêncio característico — nenhum sinal ratificando sua escolha, nenhum ledger cósmico creditando as quatro horas. Esse silêncio não é um problema a resolver. É a condição sob a qual sua jornada se torna inteiramente dela: sem subsídios, sem redenção, real de um modo que nada entregue de cima poderia nunca ser. Ela não está fazendo certo. Ela está fazendo algo que os deuses nunca ratificarão — e é o único tipo de retidão que não pode ser tirado.
“Deve-se imaginar Sísifo feliz.”
— Albert Camus, O Mito de Sísifo
EST
Estoicismo
Ela Controlou o Que Era Seu. O Resto É Ruído.
Epicteto dividiu o mundo em duas colunas: o que é nosso e o que não é. A qualidade do quadro — não é dela. As opiniões de pessoas que ficaram em casa — não são dela. Se a jornada pareceu proporcional à cultura em geral — não é dela. O que lhe pertence inteiramente é a decisão: entrar no carro, sem coerção, de olhos abertos para o custo completo, em uma hora em que ela poderia ter fabricado uma desculpa razoável para não ir. Esse ato é o único que ela carregará sem contaminação. Os que estão em seus sofás renderam até isso. Trocaram a única liberdade que não pode ser taxada — a liberdade de escolher seu próprio gasto de uma manhã — pelo conforto de chamar outro de excessivo. Ela fechou a porta do carro. Ela dirigiu.
“Faça o melhor uso do que está em seu poder, e aceite o resto como acontece.”
— Epicteto, Enchiridion 1
EXI
Existencialismo
Ela Justificou a Jornada Ao Escolhê-la Completamente.
As fotografias do quadro estavam disponíveis. Ela poderia ter ficado em sua cozinha, telefone na mão, e dito a si mesma que tinha visto. Ela não fez. Às 7 da manhã em uma terça-feira irremarkável ela escolheu a jornada com todo o peito — não porque uma tradição lhe disse que peregrinação era sagrada, não porque a eficiência aprovava, mas porque ela decidiu que importava e viveu quatro horas dentro dessa decisão antes de chegar para testá-la. O ponto insuportável de Sartre é que este é o único mecanismo disponível. Não há voz tranquila que lhe dirá depois que foi o suficiente. Ela sozinha emite esse veredicto, que não é um conforto e nunca foi feito para ser. O terror dessa falta de fundamento não é uma falha em sua situação. É a situação, para todos, sempre.
“A existência precede a essência.”
— Jean-Paul Sartre, Existencialismo é um Humanismo
CIN
Cinismo
Liberdade É a Única Coleira Sem Corrente.
Diógenes, perguntado por Alexandre, o Grande, o que ele poderia fazer por ele, disse: saia da minha luz. Isso é toda a filosofia — não ascetismo pelo bem dele, mas uma recusa furiosa de deixar a aprovação de outras pessoas se tornar estrutural em sua vida. Sua amiga dirige quatro horas enquanto as pessoas que a chamam de tola gastam essas mesmas horas acumulando salários que morrerão antes de aproveitar, construindo aprovação que não podem descontar, construindo uma vida que se encaixa perfeitamente e sufoca limpamente. Ela não precisa nada das pessoas que a piedade. Essa necessidade — a que ela não tem — é a única pobreza real oferecida. O que parece excesso de fora é o único produto real do antigo Cínico: um eu que não requer ratificação do próprio sistema que se recusou a servir.
“Sou um cidadão do mundo.”
— Diógenes de Sinope, conforme registrado em Diógenes Laércio, Vidas dos Filósofos Eminentes