TAO
Taoísmo
A evitação te molda no que você fugiu.
O Tao não oferece sentimentalismo aqui, nenhuma cerimônia de absolvição, nenhuma fala sobre cura. Oferece uma parábola: o homem que não queria entrar no moinho porque a roda de moinho havia esmagado seu pai carregou o grão nas costas até sua coluna se curvar na mesma curvatura que estava evitando. O Tao Te Ching nunca nomeia a evitação como neutra — o que você se recusa a atravessar, você carrega em vez disso, e o que você carrega tempo suficiente começa a carregá-lo. A pergunta não é realmente sobre o funeral. É sobre quem está tomando as decisões em seu corpo desde o dia em que começaram a tornar sua vida menor. Vá ou não. Mas seja honesto sobre qual escolha ainda está recebendo ordens deles.
“Para a mente que está imóvel, todo o universo se rende.”
— Zhuangzi
CIN
Cinismo
Pare de procurar uma nota de permissão de um filósofo.
Diógenes não pediu permissão a ninguém antes de sair de uma sala — ou entrar em uma. Os Cínicos não tinham paciência para o teatro elaborado da deliberação moral precisamente porque a deliberação é frequentemente adiamento vestindo uma toga. Perceba o que a pergunta está realmente fazendo: está pedindo a uma tradição, um texto, um estranho, para autorizar uma decisão que você já tomou ou está com muito medo de tomar sozinho. A pergunta mais difícil — a que você se vestiu para evitar — é se a vida que foi tornada menor foi entregue em parcelas, e se assim for, para onde vai essa contagem agora que não há ninguém para devolvê-la. O luto por baixo dessa pergunta não precisa de uma filosofia. Precisa de honestidade, e isso é gratuito.
“Sou um cidadão do mundo.”
— Diógenes de Sinope, conforme registrado por Diógenes Laércio
FIL
Filosofia Vedanta
O eu diminuído é o eu construído.
Vedanta não o deixará estar confortavelmente no papel do que foi prejudicado — não porque o prejudício não fosse real, mas porque o que foi prejudicado não é a coisa mais profunda que você é. O Mandukya Upanishad é preciso neste ponto: a testemunha, o sonhador, e o que está dissolvido no sono sem sonhos não são três selves, mas um — e nenhum deles é a história do dano. Você entrou nessa pergunta já vestido como uma personagem: 'alguém cuja vida foi tornada menor.' Vedanta quer saber quem o vestiu. O funeral é quase irrelevante. A pergunta por baixo da pergunta é se você comparecerá à sua própria vida como o Eu, ou como aquela personagem, até o final.
“O Eu não nasce, nem morre em nenhum momento.”
— Bhagavad Gita 2.20
ISL
Islã
Cumprir direitos não requer um sentimento anterior de cura.
A jurisprudência islâmica é específica: a oração da janazah é uma obrigação comunitária, fard kifayah, um dever distribuído pela comunidade para que os mortos não sejam abandonados. Mas a teologia por trás dela é mais afiada que a lei. Você não está comparecendo para confirmar reconciliação ou executar perdão. Você está comparecendo porque você, também, é uma criatura que está retornando — porque estar em um túmulo com a ferida ainda presente em seu peito é precisamente a postura que o Islã reconhece como honesta diante de Deus. O Alcorão é inequívoco de que o conhecimento de Allah do que foi feito a você excede sua própria memória disso. A contagem não é sua para completar. Você carrega apenas seus pés para a oração, e deixa Aquele que guarda cada registro levar o resto.
“Toda alma provará a morte, e você receberá sua recompensa completa apenas no Dia da Ressurreição.”
— Alcorão 3:185
ABS
Absurdismo
Vá sabendo que nenhum recibo será jamais emitido.
Camus não oferece conforto, e certamente não oferece encerramento — o encerramento é um mito de universos arrumados, e Camus nunca viveu em um. O que ele oferece em vez disso é revolta: o ato de entrar naquela sala com os olhos completamente abertos, sabendo que a dívida nunca foi paga, não será paga agora, e não será retroativamente resolvida por sua presença ou sua ausência. Aquele caminho, tomado sem ilusão, não é capitulação. É a única forma de dignidade disponível em um mundo indiferente — o gesto Sisífo, lúcido e não enganado. O universo não emitirá recibo. O silêncio acima do caixão é o mesmo silêncio que veio antes de tudo isso e permanecerá depois. Você vai, ou não vai, e de qualquer forma a pedra ainda é sua.
“Deve-se imaginar Sísifo feliz.”
— Albert Camus, O Mito de Sísifo