A Pergunta

O que acontece depois da morte?

Cinco tradições olham para a escuridão e retornam com respostas muito diferentes.

Pergunte ao Oráculo Você Mesmo

Ninguém faz essa pergunta casualmente. Você a faz à beira do leito, no estacionamento do hospital, às três da manhã quando a casa está muito silenciosa. Você a faz porque algo que ama foi removido do mundo e não consegue aceitar essa remoção como a sentença final.

Toda tradição de sabedoria é, de uma forma ou outra, uma resposta sustentada a essa pergunta. E as respostas não são variações sobre um tema. Algumas tradições prometem continuidade. Algumas prometem dissolução. Algumas se recusam a prometer qualquer coisa e o devolvem à beira do leito com um conjunto diferente de olhos.

Aqui estão cinco das respostas mais sérias que os humanos construíram — resumidas com o mínimo de jargão teológico e o máximo de honestidade que podemos gerenciar.

Cinco Perspectivas

As tradições respondem.

CRI

Cristianismo

O corpo não é descartado.

O cristianismo na verdade não ensina o que a maioria das pessoas pensa que ensina. A ideia de uma alma desencarnada flutuando para uma nuvem é mais próxima da filosofia grega do que do Novo Testamento. Aquilo em que o cristianismo coloca todo seu peso é na ressurreição corporal — uma nova criação, uma vida física refeita. Jesus come peixe depois de ressuscitar. Ele não é um fantasma. A promessa não é que você escapará seu corpo, mas que seu corpo será ressuscitado e redimido. A morte é real. O luto é real. Mas nesta tradição, eles não têm a última palavra.

A morte foi destruída pela vitória.

1 Coríntios 15:54
BUD

Budismo

Algo continua. Não é você.

O budismo é a mais cuidadosa filosoficamente das tradições sobre essa questão. Não ensina uma alma imortal. Também não ensina que a morte é o fim. O que ensina é que a cadeia de causas e condições que produziu esta vida produzirá outra — da maneira como uma chama de vela acende a próxima sem a primeira chama 'viajar'. A coisa que você chama de 'eu' sempre foi um processo, não uma possessão. O que continua após a morte é o ímpeto. O Caminho Óctuplo é como você muda a direção desse ímpeto antes da chama passar adiante.

Todas as coisas condicionadas são impermanentes. Trabalhe sua salvação com diligência.

As últimas palavras do Buda, Mahaparinibbana Sutta
HIN

Hinduísmo

Você já morreu antes. Você morrerá novamente.

Na Bhagavad Gita, Krishna está no campo de batalha e diz a um Arjuna aterrorizado que as almas que ele está prestes a enfrentar no combate na verdade não podem ser mortas. O corpo é uma roupa; o Atman — o Eu — muda de roupa. O que determina a próxima roupa é o karma, o peso de suas ações. A reencarnação não é um prêmio de consolação; é uma lei da física. O objetivo não é um renascimento melhor, mas moksha — libertação de toda a maquinaria. A questão não é se algo de você sobrevive. É quantas vidas a mais você pretende vestir.

Como um homem tira roupas gastas e coloca outras novas, assim o Eu encarnado tira corpos gastos e entra em novos.

Bhagavad Gita 2.22
EST

Estoicismo

Você é um empréstimo. Está sendo cobrado.

O estoicismo é brutalmente desinteressado em confortá-lo. Marco Aurélio — um imperador romano, um homem que realmente havia estado de pé sobre corpos — escreveu que a morte é simplesmente os átomos se reorganizando, o mesmo processo que o produziu em reverso. Houve um tempo antes de você existir. Não o incomodou. Haverá um tempo depois. Também não o incomodará. O que importa é o intervalo. Não seu comprimento — ninguém tem tempo suficiente — mas o que você fez com ele. Isto não é frio. É a permissão mais fria: viva agora, porque não há segunda rodada.

Não é a morte que um homem deve temer, mas deve temer nunca começar a viver.

Marco Aurélio, Meditações
EXI

Existencialismo

Isto é tudo que existe. Então isto é tudo.

Para os existencialistas, a morte não é uma porta. É uma parede. Camus abre O Mito de Sísifo dizendo que há apenas um problema filosófico sério, que é o suicídio — porque se esta vida é tudo que existe, a questão de se continuar vivendo é a única questão que importa. A resposta, para ele, é a defesa: viver plenamente, conscientemente, e com revolta contra o sem sentido, é o sentido. Você cria o sentido. Ninguém está reservando um lugar para você à mesa da vida após a morte. O único lugar que você tem é aquele em que está sentado.

É preciso imaginar Sísifo feliz.

Albert Camus, O Mito de Sísifo

Num Relance

As respostas curtas, lado a lado.

TradiçãoSua Resposta
CristianismoO corpo não é descartado.
BudismoAlgo continua. Não é você.
HinduísmoVocê já morreu antes. Você morrerá novamente.
EstoicismoVocê é um empréstimo. Está sendo cobrado.
ExistencialismoIsto é tudo que existe. Então isto é tudo.

Faça sua própria versão.

Quinze tradições. Uma pergunta. Sua pergunta. Veja qual ressoa.

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Now PlayingOh Death
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Artist: d_york